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O desafio da comunicação voltada para o público feminino

  • SENSU
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

O crescimento da utilização das redes sociais é um fenômeno global. Dos 8,2 bilhões de habitantes no mundo, 49,7% das mulheres e 50,3% dos homens estão conectados, de acordo com o relatório da We Are Social de 2025. Embora a diferença seja de apenas 0,6%, os homens ainda lideram no planeta no uso das redes em relação ao público feminino. No Brasil, o cenário é inverso com o público feminino à frente do masculino. Levantamento da Nielsen realizado em 2022 mostrou que 90% das mulheres acessam todos os dias a internet, um percentual maior que o dos homens, 83%. Nas redes sociais, 80% dos usuários são mulheres e 65% são homens.


O desafio da comunicação voltada para o público feminino

Os dados indicados nas pesquisas encontram eco na opinião de especialistas que apontam não só a liderança feminina nas redes sociais como a tendência de crescimento dessa realidade no Brasil. O atual cenário e o futuro reforçam o desafio e a necessidade de empresas, instituições e produtores de conteúdo entenderem esse público para tornar sua comunicação cada vez mais eficiente. A Nielsen apresenta alguns insights:


  • O smartphone é o principal dispositivo utilizado por elas;

  • O público que acompanha influenciadores é predominantemente feminino;

  • Streaming e entretenimento são os favoritos das mulheres;

  • Elas também apresentam maior potencial na conversão e no engajamento em campanhas e anúncios relacionados a vestuário e alimentos.


A comunicação com as mulheres passa por adotar uma linguagem alinhada às expectativas desse público. Para estabelecer conexão com elas, é preciso superar a comunicação genérica e superficial. Elas valorizam a autenticidade, histórias reais e querem ser representadas nas campanhas e nos conteúdo dos influenciadores, respeitando a diversidade de corpos, etnias e estilos de vida. Também estão de olho no empoderamento feminino e nas campanhas e nos conteúdos humanizados. Marcas e produtores de conteúdos que entenderem isso estão no caminho de conquistar esse público, que em 2024 foi responsável por 82% das compras online no país (Linx – 2024 ).


Ciência, saúde e educação também são territórios femininos

Além de consumidora de produtos e conteúdos, as mulheres também se destacam no empreendedorismo no mundo digital. Nesse aspecto, a afirmação da comunicadora empresária Monah Dom em entrevista ao jornal O Globo em 2025, sintetiza a jornada digital das mulheres: "Mulher não comunica apenas para engajar. Ela comunica para criar identificação. Isso é o que transforma seguidores em uma comunidade, e a comunidade em negócios reais”.


Nas redes, as influenciadoras investem em diferentes conteúdos – produtos, cursos, marcas, tecnologia e estilo de vida – e consolidam sua atuação. Nessa tendência, ciência, saúde e educação passaram a ser territórios ocupados também por mulheres influenciadoras. Esse movimento ficou mais perceptível durante a pandemia da Covid-19 diante da necessidade de combater as fake news.


Passada a pandemia, essas influenciadoras já consolidadas nas redes, continuaram seu trabalho. Entre os cases de sucesso está o da bióloga Mari Krüger, que atua com educação por meio de vídeos bem-humorados desmistificando mitos, explicando fenômenos biológicos e combatendo informações enganosas. Também muito conhecida é a dupla formada pela bióloga Ana Bonassa e a farmacêutica-bioquímica Laura Marise, do Nunca Vi 1 Cientista. O canal, em tom descontraído, aborda temas que estão em debate na sociedade, sempre a partir de evidências científicas. E assim, além de prestar um serviço importante, transformam a produção de conteúdo em educação e em negócios com perspectivas de crescimento.


Infelizmente, o avanço das mulheres como produtoras de conteúdo nas redes reflete a desigualdade de gênero ainda presente em nossa sociedade. Também nesse segmento, influenciadores ganham mais que as influenciadoras. Um estudo sobre criadores de conteúdo divulgado em abril de 2025 pela plataforma de marketing de influência Wake Creators mostrou que dos 14 milhões de criadores de conteúdo no Brasil, 87% são mulheres. Outro estudo da consultoria YOUPIX mostrou que elas ganham menos que os homens. Para citar um exemplo, enquanto 33,7% dos homens ganham entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, apenas 27,6% das mulheres estão nesta faixa.


Maioria no jornalismo

As mulheres também estão em maior número nos cursos de jornalismo. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2022, estudantes do sexo feminino em cursos de jornalismo no formato presencial correspondiam a 59,3%. Os homens, por sua vez, representavam 40,7%. No formato de cursos a distância, predominam os estudantes do sexo masculino (53%) em relação às do sexo feminino (46,7%).


Mais uma vez, a desigualdade de gênero se impõe. Apesar de serem em maior número no ensino superior de jornalismo, isso não se reflete no mercado de trabalho. O Reuters Institute investigou, em 2024, a distribuição de gênero entre os editores em 240 veículos de notícias em 12 países. No Brasil, apenas 21% das mulheres ocupam cargos de liderança nas redações.


Muito mais do que dados

Comunicar-se com as mulheres exige mais do que dados. É fundamental a escuta, a representatividade e o comprometimento com a igualdade que ainda falta. Empresas, veículos e criadores de conteúdo que entenderem isso estarão não apenas conquistando um público, mas contribuindo para diminuir a desigualdade de gênero.

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