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Com ou sem jaleco, cientistas trabalham para a sociedade

Em homenagem ao dia da criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade criada em 8 de julho de 1948, a Lei nº 10.221, sancionada em 2001, instituiu que nesta data é celebrado o Dia Nacional da Ciência. Sete anos depois, também em 8 de julho, foi constituído o Dia Nacional do Pesquisador por meio da Lei nº 11.807. Leis que, somadas, fazem jus à amplitude da pesquisa científica e do campo aberto para sua divulgação.



No último aniversário desta data, o primeiro em uma pandemia, a comunidade científica foi convidada a postar uma foto trazendo a hashtag #CientistaTrabalhando, com a proposta de falar sobre como se dá o processo científico e como, na prática, a ciência funciona. Para tanto, no último dia 8 de julho foi iniciada uma grande mobilização de divulgadores de ciência nas redes sociais e em veículos de mídia.


A coordenação é do Serrapilheira, instituto privado de fomento à ciência e à divulgação científica no Brasil e pela Agência Bori, dedicada a criar uma ponte entre cientistas brasileiros e a imprensa. A campanha incluiu a ocupação de colunas na imprensa, na qual os autores estão cedendo seus espaços para abordar temas relacionados ao processo científico, tanto com textos escritos por eles próprios quanto por cientistas convidados.


Uma iniciativa essencial para mostrar o quanto os cientistas estão trabalhando, em um esforço global, por novas formas de enfrentamento da Covid-19, que inclui o melhor entendimento desta doença até então desconhecida da humanidade, desenvolvimento de testes precisos e acessíveis, inovações tecnológicas para diagnóstico, tratamento e recuperação dos pacientes, além de uma trabalho incessante em pesquisa clínica por medicamentos que sejam, de fato, efetivos no combate à doença. Um esforço que inclui pesquisas pela tão esperada vacina que possa frear a disseminação do coronavírus.


O papel do movimento, que vai se estender até o final de julho, é mostrar esses processos em uma linguagem acessível, explicando, didaticamente, o método científico: começa pela pergunta. Ela é esboçada a partir de uma pesquisa prévia do cenário a ser estudado e, com isso, levanta-se um problema a ser solucionado. O passo seguinte é elaborar a hipótese e assim executar observações e experimentos que possam testar esta hipótese. Após a análise dos dados, o pesquisador divulga os resultados e apresenta sua conclusão.


Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, cinco autores que assinam pela Agência Bori e Instituto Serrapilheira mostram que há “#CientistaTrabalhando em todo lugar e contra o tempo. Mas, em um momento em que o mundo olha para a mesma doença à espera de respostas, é difícil compreender informações aparentemente contraditórias vindas da ciência. Um dado divulgado na imprensa pode ser refutado no dia seguinte. E assim a ciência segue”.


MUITO ALÉM DE EINSTEIN


Jornalistas, comunicadores e pesquisadores engajados em divulgação científica são essenciais para a popularização do método científico. Partindo da premissa de que o fazer ciência vai além da imagem de especialistas de jaleco em uma bancada de laboratório, não faltam oportunidades para mostrar #CientistaTrabalhando em todas as áreas do conhecimento.


No entanto, ao se fazer uma busca por imagens no Google com a palavra cientista, os resultados trazem, majoritariamente, o imaginário popular que destaca a figura do físico e do químico. Protagonismo também é dado para a ciência da vida (biologia). Nos livros didáticos também há seu espaço para a ciência da terra, dividida em geografia, meteorologia, climatologia e muitas outras.


A amplitude do conceito de ciência pode ser exemplificada na trajetória de Galileu Galilei, que era físico, astrônomo, matemático e filósofo. O pai da ciência, que viveu entre os séculos XVI e XVII, trazia em sua formação, portanto, também as ciências exatas e humanas. Já em 2020, diante da Covid-19, a ciência da saúde tem seu protagonismo ressaltado, com profissionais de diferentes formações que, além de atuar na assistência, podem produzir ciência. É o caso de médicos de diferentes especialidades, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, dentre outros. E para dar luz a tantas descobertas, entra em ação o jornalismo científico, que é um antídoto para a desinformação.


De acordo com os organizadores da campanha, por conta da pandemia, a ciência vem ocupando um espaço no debate público e assumindo um protagonismo inédito. Ao mesmo tempo, afirmam, há uma certa decepção e impaciência de parte da sociedade, que não compreende o processo científico, os riscos envolvidos, investimentos necessários, relação com o erro e as controvérsias. Um momento fundamental para se mostrar que, com ou sem jaleco, há #CientistaTrabalhando para a sociedade.


Alguns dos textos publicados com o tema da campanha #CientistaTrabalhando

Fonte: Serrapilheira.

Serrapilheira e Bori, na Folha de S.Paulo: Combate à Covid-19 passa pela compreensão de como a ciência é feita

Marcelo Leite e Stevens Rehen, na Folha de S.Paulo: Dilúvio de pesquisas sobre Covid revela o melhor da ciência Thiago Gonçalves, no UOL: Dia Nacional da Ciência: lives e tuitaço aproximam você do mundo científico Helio Gurovitz, no G1: “A ciência não é cheia de certezas” Edgard Pimentel, na Folha de S.Paulo: A matemática da formação de um par perfeito

Agência Brasil Campanha #CientistaTrabalhando chama atenção para processo científico


Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo: O valor da ciência


Pedro Hallal, na coluna de Leonardo Sakamoto, no UOL: Mais pobres têm o dobro do risco de se infectarem com coronavírus no Brasil

Cecília Salgado, na coluna de Tati Bernardi, na Folha de S.Paulo: Serendipidade na matemática

Mirian Leitão, no O Globo: O risco de parar a pesquisa da Covid


Atila Iamarino, na Folha de S.Paulo: Que falta faz a medicina baseada na ciência


Moura Leite Netto - Jornalista e sócio da SENSU

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